quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Crítica - Meu Malvado Favorito



Quantas vezes não vimos as aventuras de um vilão atrapalhado que tenta alguma proeza em troca de reconhecimento? Este é o desejo de Gru, personagem principal da animação Meu Malvado Favorito [Despicable Me, 2010]. Com voz original de Steve Carrel, o Michael Scott da série The Office, e dublagem brasileira do comediante Leandro Hassum, o malvado do título planeja algo mais ousado que um roubo comum: ele quer roubar a lua. Assim, alcançará de vez o estrelato, principalmente depois que alguém realizou um roubo mais fenomenal que os dele.

Para alcançar seu objetivo, Gru conta com a ajuda de um cientista, o Dr. Nefário, e seus Minions – aquelas criaturinhas amarelas que muito se assemelham aos coelhos raivosos dos jogos do Rayman. Apenas coincidência? Ainda assim, eles são os responsáveis por algumas das melhores, apesar de raras, cenas cômicas do filme.

Claro que nem tudo é fácil e Gru também tem um adversário, Vector (com voz de Jason Segel, no original, e Marcius Melhem, na versão brasileira), que vive atrapalhando seus planos. E aqui aparece um dos grandes problemas do filme: a falta de representatividade do adversário de Gru. É praticamente impossível gostar ou ao menos simpatizar com Vector, o que atrapalha até o protagonista. Afinal, a identificação por um personagem também depende dos outros ao seu redor – você pode até odiá-los, mas isso faz com que eles ao menos sejam marcantes, coisa que Vector está longe de ser.

Existem também as crianças: Margo, Edith e Agnes. Apesar de serem uma das melhores coisas do filme (a Agnes é extremamente “tchuca”), são também um de seus maiores defeitos: de onde vieram e porque foram parar em um orfanato? Ou o mais fundamental: elas são irmãs? Nada do seu passado é contado e alguns buracos no roteiro ficam evidentes. Em determinado momento, elas passam a fazer parte da vida de Gru e aquele velho clichê se estabelece: alguém, de coração frio e sem talento algum pra paternidade, acaba se descobrindo um pai e coloca em risco seu plano. Entra o dilema: seu sonho de roubar a lua ou sua nova relação com as crianças? É raro existir algum conflito mais clichê que este na história dos cinemas.

O filme tem seus altos e, apesar de alguns momentos o 3D e a animação parecerem estranhos, algumas belas cenas como as do espaço dão gosto de assistir – nada que não possa ser visto em uma versão normal. Mas parece que o roteiro não foi muito bem trabalhado e as piadas – muitas vezes fracas e até infantis em excesso – acabam não funcionando. Até algumas com alto potencial cômico, como a paródia com O Poderoso Chefão, acabam fracassando pela má condução das cenas. O tempo inteiro dá a sensação de que falta algo mais.

A trilha musical começa empolgando (com Lynyrd Skynyrd), mas perde o ritmo. Destaque para o tema principal que, se não é fenomenal e inesquecível, pelo menos me fez repeti-la algumas vezes depois.

Meu Malvado Favorito decepciona por muitas vezes cair no clichê e por ter desperdiçado a chance de ser um grande filme, se tornando apenas mais uma (às vezes) divertida animação. Ou seja, um filme na média. Nota 5.

Ficha:
Meu Malvado Favorito [Despicable Me, 2010]
Dirigido por Pierre Coffin e Chris Renaud, com roteiro de Ken Daurio, Sergio Pablos e Cinco Paul. Elenco original: Steve Carell (Gru - voz), Jason Segel (Vetor - voz), Russell Brand (Dr. Nefário - voz) e outros. Vozes brasileiras de Leandro Hassum (Gru) e Marcius Melhem (Vetor).

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A volta dos que não foram



Comecei este blog com os objetivos de a) exercitar minha escrita sobre cinema e b) opinar, comentar, falar e prosear sobre esta maravilhosa arte. Mas nem sempre as coisas saem como planejamos e os últimos três meses da minha vida foram bastante esquisitos.

Mas agora o trem já está novamente no trilho, e estou retomando vários projetos - inclusive este espaço. Pretendo escrever pelo menos um pouco sobre os filmes que eu assistir, e também comentar um ou outro acontecimento relacionado. Quem sabe até consigo lançar algumas novidades?

Mas vamos com um passo de cada vez, pra não tropeçarmos nas próprias pernas.

E daqui a pouco publico a crítica de Meu Malvado Favorito. :)

domingo, 25 de abril de 2010

Don Al Pacino


Alfredo James Pacino. Al Pacino. Nascido em 25 de abril de 1940, o grandioso ator completa hoje 70 anos. E é claro que aqui no Proposta Irrecusável não poderíamos deixar de homenagear o intérprete de Michael Corleone, filho do sábio e responsável pelo batismo deste blog, Vito Corleone (interpretado, como todos sabem, pelo também inesquecível Marlon Brando).

Oriundo de uma família pobre e com ascendência italiana, Al Pacino nos reserva uma divertida coincidência: seus antepassados são da comuna italiana de Corleone, na Sicília - terra natal de Don Vito, em O Poderoso Chefão, e onde Michael também reside por um período.

Apaixonado por teatro, começou sua carreira nos palcos na década de sessenta e até hoje mantém a paixão pela arte. Considerado um dos grandes atores de todos os tempos, ganhou seu primeiro Oscar pela impecável atuação em Perfume de Mulher, no papel de Frank Slade, um militar reformado, cego e irascível. Coleciona também alguns Globo de Ouro e Tony Awards.

Além da trilogia O Poderoso Chefão e Perfume de Mulher, também protagonizou outros sucessos como Donnie Brasco, Advogado do Diabo, Scarface, O Informante, entre vários outros - e uma longa carreira no teatro.

O nome diz tudo sobre o mito: Al Pacino. Neste dia, nossas mais sinceras homenagens ao grande Al.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Crítica - As Melhores Coisas do Mundo


Eu havia escolhido a crítica de Alice no País das Maravilhas para estreiar este novo espaço. Mas no intervalo entre a cabine do filme e o lançamento do blog assisti uma pérola do cinema nacional que me fez mudar de idéia: As melhores coisas do mundo, novo filme de Laís Bodansky.

A história é centrada em Hermano, ou Mano, um jovem de classe média que, aos 15 anos de idade, começa a enfrentar os problemas do mundo real (vulgo mundo adulto) enquanto divide o tempo com os amigos, festas e música. Interpretado de forma magistral (e extremamente natural) pelo estreiante Francisco Miguez, Mano nos leva para o centro de um mundo do qual todos nós fizemos (e ainda fazemos) parte: a adolescência.

Lembro quando tinha 15 anos e minhas maiores preocupações eram parecer legal para a menininha do cursinho e conseguir passar no vestibular para o colégio técnico que futuramente iria estudar. Gostava de estar com os amigos, jogar bola, videogame, etc. Coisas da idade. E também tinha meus conflitos, começava a aprimorar uma visão crítica da sociedade e do meio onde vivia. Mano também começa a perceber isso depois que algumas polêmicas acontecem no colégio onde estuda e que a sua família começa a ruir em crise. O que nós, quando crianças, imaginamos ser um mundo perfeito, vai por água abaixo nesta época da vida.

O filme conta com roteiro de Luiz Bolognesi, marido e habitual parceiro de Laís em seus trabalhos e toca ao retratar de forma fiel o universo desta idade tão peculiar e mergulhada em mudanças. Méritos para a equipe, que investiu pesado em pesquisa e no contato direto e constante com jovens e adolescentes, criando um retrato fiel do que seria a atual classe média. Vale ressaltar que o roteiro é inspirado na série de livros “Mano”, de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto.

Engana-se quem pensa que As melhores coisas do mundo é um filme para adolescentes. Ele vai além: ao retratar o mundo em que vivem, seus problemas e angústias, nos leva a refletir também sobre nossa vida e sobre como passamos por essa fase e vivemos depois dela. Não somente os conflitos de Mano, mas também os de seu irmão Pedro (Fiuk) fazem pensar, especialmente quem já enfrentou situações semelhantes.

As atuações do filme merecem destaque. Desde Francisco, que mostra-se totalmente à vontade, até Denise Fraga, sensacional no papel da mãe do protagonista. Fiuk também aparece bem, assim como a jovem Gabriela Rocha (Carol), e tanto Caio Blat, que interpreta o professor Artur, e Paulo Vilhena, que vive o professor de Música de Mano, apresentam interpretações seguras e encaixam bem para os papéis que representam.

Falando em música, as canções do filme misturam desde Arnaldo Antunes (com a tema As melhores coisas), até Beatles (Something), e são alguns dos pontos fortes da película. Aliás, vale destacar a relação dos dois irmãos com a música e o modo como ela é significativa não somente na vida deles, mas de todos os adolescentes – e de todos nós.

Um outro ponto a se destacar é o cuidado e a forma como questões polêmicas são abordados no longa. Homossexualismo, suícidio, bullyng, preconceitos, fofocas... temas atuais, não só da juventude, são tratados de forma simples, mas não simplória, e sem parecerem apelativos - apenas nos fazem pensar, e este é o melhor resultado que poderiam conseguir.

Talvez o único pecado de As melhores coisas do mundo seja se tornar óbvio em alguns raros momentos, mas não é nada que tire o brilho de um dos melhores filmes do cinema nacional – só não digo que é o melhor por não ter um conhecimento profundo o suficiente para não cometer injustiça.

Fui assistir esperando um bom filme, saí afirmando ser um puta filme. Não poderia começar este blog de maneira melhor que não com uma nota 10. :)

Ficha:
As Melhores Coisas do Mundo [idem, 2010]
Direção de Laís Bodanzky, com roteiro de Luiz Bolognesi. Elenco: Francisco Miguez (Hermano 'Mano'), Caio Blat (Artur), Fiuk (Pedro), Denise Fraga (Camila), Paulo Vilhena (Marcelo), Gabriela Rocha (Carol), José Carlos Machado (Horácio) e outros.

Proposta Irrecusável


Quem conhece a história de O Poderoso Chefão sabe: toda vez que Don Vito Corleone diz que fará uma proposta irrecusável, é bom o ouvinte prestar atenção e aceitar - assim, ele evita um banho de sangue que muito certamente incluirá também o seu.

A proposta aqui, claro, é ser um blog irrecusável - mas sem pretensão alguma de tornar-se o maior ou melhor espaço sobre cinema da internet. O autor, eu, tem plena consciência que está longe de ser um crítico profissional e escreve aqui por que gosta - tanto de escrever quanto de cinema.

Claro que com a prática, com futuros cursos de formação, com estudos, a proposta é melhorar cada vez mais em todos os aspectos - seja na escrita, seja na análise e na argumentação. Afinal, melhorar sempre deve ser o objetivo de todos nós.

Até lá, vamos batendo papo sobre sobre cinema e os vários elementos que fazem dele essa arte tão apaixonante. :)

Aproveito e faço uma pequena divulgação para você que não conhece: acessem também o Tijolos Amarelos, um site diferente sobre cinema! =)

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